terça-feira, 16 de agosto de 2016

“Praia Grande do Rodízio – Colares (Sintra): Interesse geomorfológico e paleontológico”


Desde a minha infância como colona da Colónia de Férias CUF, que frequento a Praia Grande, inserida no Parque Natural Sintra. Uma praia com muitas memórias, onde continuo a ir agora com a minha filha e amigos.


A Praia Grande apresenta um areal extenso, boa para a prática do surf e bodyboard.

No lado norte encontra-se o Hotel Arribas inaugurado em 1961, com a sua piscina de água salgada ao ar livre inaugurada em 1966 e que tem cerca de 100 M², localizada em cima de um penhasco do Atlântico.


Junto à falésia do lado sul, podemos observar e sentir a beleza da sua lagoa natural e as rochas com as espécies marinhas em simbiose. O areal junto à falésia apresenta uma tonalidade mais escura associada à elevada concentração de sedimentos arenosos de minerais pesados.













Junto ao rochedo e reaproveitando a escadaria rochosa e anterior do topo ao areal da praia, em 2014 foi construído um corrimão e passadiço ao longo desse percurso.
A escadaria antes das obras de recuperação (2014)
A escadaria 2 anos depois das obras de recuperação (2016)
Nas arribas envolventes a sul, são visíveis os vestígios paleontológicos descobertos oficialmente  em 1981, com a jazida de trilhos de pegadas impressas de dinossáurios saurópedes, terópedes e ornitópedes (espécies bípedes Iguanodon e Megalossauro), gravada nos estratos subverticais, datadas do período cretácio inferior (110 a 115 milhões de anos), quando a serra de Sintra ainda não existia e se acumulavam os sedimentos que correspondem actualmente a esse estrato sedimentar.

“A acumulação de sedimentos ao longo dos milhões de anos, transformou-se em rochas sedimentares, os restos orgânicos em fósseis e os planos horizontais em planos com inclinações. Deste modo, hoje podemos ver, em camadas de rochas verticais, pegadas profundas que resultaram da força exercida pelos pés dos animais no solo lamacento, plano e horizontal”.
Fonte: www.mnhn.ul.pt


Ao subir a escadaria da zona sul da praia até ao topo da arriba, onde as escadas ficam paralelas à área inferior da laje vertical é bem visível a pista composta por impressões ovais de marcas dos pés e outras, tal como as deixadas por um saurópode.

No topo da arriba seguindo ao longo de trilhos pedestres e canaviais, contemplamos a linda paisagem do Oceano Atlântico e a vista da Praia Grande com a sua envolvente urbanística.

Pelo elevado valor científico, geológico, paleontológico, importância nos desportos do mar e pela beleza paisagística, toda esta área da Praia Grande, merece a vossa visita tendo em consideração a preservação deste local que adoro e com a sua imensa importância já referida.

Termino, deixando este vídeo disponível no youtube como modo de visita virtual:
Até ao próximo tema pessoal amigo!

Fontes usadas para a composição do texto do blog:
- Expresso
- Site oficial Hotel Arribas
- Estudos do Quaternário, 14 APEQ, Braga, 2016 pp.82-91
- www.mnhn.ul.pt
 






sábado, 23 de julho de 2016

VARINO "PESTAROLA" - Viagem pelo Rio Tejo

Desde 2014 até hoje, já foram 3 as viagens de lazer com amigos que fiz mais a minha filha, nesta embarcação à vela tradicional com saída do Barreiro navegando no Rio Tejo. E nunca me canso pela paisagem ribeirinha linda que podemos desfrutar em boa companhia de amigos. Em 2014 foi com os amigos ligados à Memória Colorida Associação - Colónia Férias CUF, sendo em 2015 e 2016 com amigos do Clube de Fotógrafos do Barreiro. 

Historicamente o varino surge a partir da 2ª metade do séc. XIX, como embarcação de carga e criando-se assim uma forte ligação entre toda a zona estuária do Rio Tejo e as necessidades da população ribeirinha do Concelho do Barreiro. 
Com o desenvolvimento das linhas férreas, novas profissões a elas ligadas e os barcos a vapor, levaram ao desaparecimento dos varinos como presença até então assídua no rio. Esteticamente o varino envergava um pano triangular latino num só mastro, à proa uma pequena vela. A sua decoração é exuberante nas cores com contrastes entre o amarelo, azul, o branco ou vermelho, o fundo preto e de raíz popular.

Descrevendo um pouco o percurso do varino "Pestarola" em particular, o 1º. registo corresponde a 1930 em Alhandra com a designação de "camponês". 
Em 1946, é adquirido pelos armazéns José Luís da Costa, sociedade de armadores e secagem de bacalhau. 
Em 1999, a Câmara Municipal do Barreiro adquire o varino e procede à sua restauração no âmbito da preservação do património cultural e ambiental.
Como facto curioso, é a atribuíção ao varino "Pestarola" da bandeira da Marinha do Tejo dia 14 de Junho de 2014, passando a integrar a frota de uma comunidade, cujo objectivo passa pela valorização do Tejo na sua riqueza patrimonial e humana.
Todos os anos entre Maio e final de Setembro, poderão apreciar esta viagem pelo rio, mediante marcação prévia e escolha de um dos 4 circuitos da Rota:
- Circuito da Ilha do Rato
- Circuito do Estuário do Tejo
- Circuito do Estuário do Coina
- Circuito Ribeirinho

(Fontes para elaboração do texto: www.cm-barreiro.pt e http://entretejoesado.blogs.sapo.pt)

Fiquem então com alguns dos registos fotográficos das 3 viagens já efectuadas por mim até agora. 

É um prazer partilhar convosco esta paisagem ribeirinha!

Foto: Orlando Santos
Foto: Orlando Bernardo






































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