sábado, 2 de maio de 2026

Destinos e Locais: Cidade de TOMAR

 

Destinos e Locais: Cidade de TOMAR

Em Maio de 2023, juntamente com amigos do Clube de Fotógrafos do Barreiro visitei Tomar e pudemos conhecer alguns dos locais mais emblemáticos de Tomar. 

 


Historicamente as origens de Tomar remontam há mais de 30 mil anos, como revelam os vários achados arqueológicos. Tomar foi a última cidade templária a ser construída, após doação de terras por D. Afonso Henriques, tendo sido um pilar na reconquista cristã e defesa do território. Fundada em 1160 por Gualdim Pais, cavaleiro da Ordem dos Templários, construiu-se o Castelo de Tomar como ponto estratégico na defesa do território português durante a Reconquista Cristã. Tomar foi sede das Ordens Militares templárias e da Ordem de Cristo. Esta ordem teve um papel importante nos Descobrimentos Portugueses, com o apoio a navegadores e expedições marítimas. Tomar obteve o estatuto de Cidade em 13 de Fevereiro de 1844, pela Rainha D. Maria II.

Nesta publicação irei partilhar através da fotografia e resumo escrito das curiosidades, sobre os vários monumentos e locais interessantes a serem visitados.

Começo pelo Aqueduto de Pegões (periferia de Tomar) devido à importância histórica a TOMAR na engenharia hidráulica e à ligação direta com o Convento de Cristo.

 Aqueduto de Pegões

O Aqueduto de Pegões foi construído no século XVII para abastecer e fazer a gestão de água ao Convento de Cristo e a Tomar. O projeto de construção é da autoria do engenheiro italiano Filippo Terzi, foi iniciada no reinado de Filipe I de Portugal (final do século XVI) e concluída por volta de 1614. Tem cerca de 6 km de extensão total, o trecho mais conhecido (Vale dos Pegões) tem 180 arcos, altura máxima de cerca de 30 metros, estrutura em dois níveis de arcadas, é possível subir com cuidado ao topo e apreciar a vista fantástica sobre o vale.


Dois dos locais “obrigatórios” a visitar em Tomar são o Convento de Cristo e o Castelo medieval, cujo conjunto arquitetónico recebeu em 1983 o reconhecimento e classificação pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade.

Castelo de Tomar

O Castelo de Tomar é uma fortificação medieval templária do século XII, construída pela Ordem dos Templários, sob a liderança de Gualdim Pais, servindo como base militar e estratégica na defesa do território durante a Reconquista cristã. Mais tarde, o castelo passou a fazer parte integrante do Convento de Cristo, tornando-se um dos conjuntos históricos portugueses mais importantes (em futura ida a Tomar espero ter tempo para ir fotografar e visitar o seu interior e observar a paisagem do ponto mais alto do castelo).


Convento de Cristo

O Convento de Cristo é um dos monumentos históricos mais importantes de Tomar, ficando muito próximo do centro da cidade de Tomar e está ligado à história dos Templários no país. Começou como uma fortaleza templária fundada em 1160 por Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários. Depois da extinção dos Templários, a estrutura passou para a Ordem de Cristo, que teve um papel essencial nos Descobrimentos Portugueses. Foi ampliado e transformado ao longo dos séculos (séculos XII ao XVII), misturando estilos arquitetónicos diferentes.

Na sua arquitetura destaca-se a diversidade de estilos:

  • Românico e Gótico – nas estruturas mais antigas

  • Manuelino – o estilo português ligado à época dos Descobrimentos

  • Renascença e Maneirismo

Alguns pontos a destacar são:

  • Charola: igreja circular inspirada no Santo Sepulcro de Jerusalém

  • Janela Manuelina: um dos símbolos mais icónicos da arquitetura portuguesa

  • Claustros (há vários, cada um com estilo próprio)

  • Fortaleza templária original


Próxima do Castelo e do Convento de Cristo, foi possível visitar e fazer um piquenique na Mata Nacional dos Sete Montes, um dos espaços verdes mais emblemáticos da cidade e a principal de Tomar.

A Mata dos Sete Montes, é um parque florestal histórico criado no contexto da presença da Ordem de Cristo em Tomar. Durante séculos, foi área de proteção natural e abastecimento de madeira do Convento de Cristo.

Hoje é um espaço público aproveitado para passeios na natureza e lazer com caminhos com árvores centenárias, labirinto de arbustos e vegetação mediterrânica, ruínas e elementos históricos integrados na paisagem, tal como um pequeno castelo/torre conhecido como Charolinha (miradouro).


Igualmente com bastante proximidade ao Castelo e Convento de Cristo, encontram-se a capela de Nossa Senhora da Conceição e a capela de São Gregório, que não cheguei a visitar mas deixo um resumo acerca de ambas as capelas e fotografias retiradas do site de turismo da CM de Tomar (numa próxima visita será um local a ir pessoalmente para fotografar).

A Ermida de Nossa Senhora da Conceição encontra-se na encosta que conduz ao Castelo dos Templários e ao Convento de Cristo. Foi mandada edificar por Frei António de Lisboa, em 1541, e a sua construção terá sido concluída em 1573. Desde 1910 que foi reconhecida como monumento nacional.

A Capela de São Gregório situa-se no início da Estrada do Prado. É um pequeno santuário de construção quinhentista, em que as paredes da nave da Capela, são decoradas por painéis de azulejos setecentistas. Esta capela é dedicada a São Gregório de Nazianzo (teólogo e escritor cristão do século IV).


Seguindo caminho para o centro histórico de Tomar, passámos pelo Largo do Pelourinho, que é uma pequena praça histórica, muito próxima de outros pontos importantes da cidade. Neste local eram anunciadas leis e, por vezes, local de punições públicas. O pelourinho original de Tomar já não exista no local mas o largo mantém o nome e o valor histórico.



O local seguinte foi a Praça da República enquanto ponto de partida central para explorar o centro histórico e social de Tomar. Aqui na praça encontram-se a Câmara Municipal e a Igreja de São João Batista. Ambos os edifícios foram uma oferta de D. Manuel I, rei de Portugal e Grão-Mestre da Ordem de Cristo, a Tomar.

A Câmara Municipal de Tomar é um edifício histórico reforçando o carácter administrativo e simbólico.

A estátua nesta praça central é uma homenagem ao fundador da cidade de Tomar e mestre da Ordem dos Templários, D. Gualdim Pais, quarto Grão-Mestre dos Templários, em Portugal, tendo ordenado a construção da Igreja de Santa Maria do Olival, do Castelo e do Convento de Cristo.

A praça tem arquitetura típica portuguesa bem preservada, ambiente animado onde decorrem eventos culturais, mercados e celebrações locais, rodeada de esplanadas e comércio local.
A Igreja de São João Batista  no centro da praça é uma igreja do século XV conhecida pelo seu portal manuelino ricamente decorado.

Prosseguimos o percurso até a meio da rua da antiga judiaria de Tomar, onde se encontra a Sinagoga / Museu Luso Hebraico Abraão Zacuto (é a sinagoga medieval mais bem preservada de Portugal).

Foi construída por volta de 1430, durante o reinado de D. João I, numa altura em que a comunidade judaica em Tomar era bastante ativa e importante para a economia local. Com a expulsão dos judeus no final do século XV (durante o reinado de D. Manuel I), o edifício deixou de funcionar como sinagoga e teve vários usos ao longo do tempo (foi armazém, prisão e adega). Atualmente, a sinagoga funciona como museu dedicado à história e cultura judaica em Portugal. Tem muita história ligada à presença judaica.

A arquitetura do edifício carateriza-se pela simplicidade do exterior, mas com detalhes interessantes no interior da Sinagoga: destaco a sala quadrada com quatro colunas centrais, cujas colunas simbolizam as mães de Israel (Sara, Rebeca, Raquel e Lia). O Teto com abóbadas de cruzaria e a acústica deste local foi pensada para leitura e oração.

Podemos observar expostas algumas peças históricas da comunidade judaica, documentos e exposições, tal como alguma informação sobre figuras judaicas importantes como Abraão Zacuto.


Seguimos até ao Complexo Cultural da Levada que é um antigo espaço industrial transformado em espaço cultural de vários núcleos, com museu, espaços de eventos e atividades educativas, espaços expositivos com maquinaria industrial, exposições interativas e história da indústria local. Funcionava como zona de moagens e outras atividades industriais ligadas à água, junto ao Rio Nabão.


Aqui encontramos:

1) Fábrica das Artes | Tomar: apoia artistas e artesãos num ambiente criativo e histórico-industrial.

2) Fundição Tomarense - Núcleo Museológico: Reflete a memória histórica desta unidade industrial e proporciona a interpretação, de um conjunto de equipamentos e estruturas associadas à transformação, produção e aperfeiçoamento do ferro.


3) Centro Interpretativo Tomar Templário: através das diferentes formas de exposição, incentiva os visitantes a descobrir um território em que a marca templária é dominante.

4) Central Elétrica de Tomar - Núcleo Museológico: antiga central, este espaço apresenta a história da eletrificação da cidade de Tomar.


5) Moagem A Nabantina (contempla tecnologias de aproveitamento da energia hidráulica).

6) Moagem A Portuguesa (datada de 1912, é uma antiga fábrica de farinhas instalada num edifício de cinco pisos com área total de 2000m e planta quadrangular, inserido no limite sul do conjunto da Levada de Tomar). 

Após a visita a este complexo, junto ao Rio Nabão passámos pela Casa dos Cubos.

A Casa dos Cubos é um dos edifícios mais contemporâneos de Tomar, contrastando bastante com o ambiente histórico da cidade. É dedicado à cultura e exposições, funcionando como galeria de arte e de fotografia, espaço cultural e centro de exposições temporárias. O nome deste edifício vem da sua forma: vários “cubos” interligados, estilo moderno, geométrico e minimalista.


A Igreja de Santa Maria do Olival é um dos monumentos mais importantes de Tomar e foi o primeiro panteão dos Templários em Tomar. A igreja foi construída no século XII por ordem de Gualdim Pais, no seu interior encontram-se vários túmulos de cavaleiros templários, incluindo o de Gualdim Pais. Mesmo após a extinção dos Templários, continuou ligada à Ordem de Cristo. A igreja apresenta um estilo maioritariamente gótico, mas com influências anteriores: Fachada simples, mas imponente, Rosácea central (janela circular típica do gótico), Interior com três naves.


Cruzando o Arco das Freiras, entrámos no Convento/capela de Santa Iria.

A Capela de Santa Iria é um pequeno monumento histórico e religioso de Tomar, ligado a uma das lendas medievais mais antigas da região de Tomar (Santa Iria). Segundo a tradição: Iria era uma jovem muito bela e devota, Foi injustamente acusada e assassinada. O seu corpo foi lançado ao rio Nabão. Mais tarde, teria sido encontrado incorrupto, o que levou à sua veneração. A capela marca simbolicamente o local ligado a essa lenda e o seu valor é marcadamente simbólico e histórico.


Uma das outras referências em Tomar é a Casa Vieira Guimarães que é um edifício histórico senhorial importante de Tomar, pelo seu valor cultural e pela figura a que está associado (Vieira Guimarães). Foi médico de formação, político no século XX. Atualmente funciona como: núcleo museológico e como espaço cultural ligado à história local.


13. Parque Mouchão e Roda

O Parque do Mouchão situado numa pequena ilha no rio Nabão. é um local apreciado para passeios, piqueniques e momentos de descanso à sombra das árvores. Um dos elementos mais emblemáticos do parque é a sua roda hidráulica, conhecida como Roda do Mouchão. Essa roda tradicional servia antigamente para ajudar a elevar a água do rio para irrigação e outras funções. Hoje, ela é sobretudo um símbolo histórico e turístico da cidade, mantendo-se em funcionamento como atração. O parque tem áreas verdes, pontes que ligam o parque à cidade, o coreto, os equipamentos desportivos e, nas proximidades, os cafés e restaurantes.

Mesmo ao lado do Parque do Mouchão, encontra-se:

  • Roda do Mouchão (A famosa roda hidráulica de madeira junto ao rio Nabão, um dos símbolos da cidade foi construído em 1906).

  • Rio Nabão e pontes pedonais (Caminhos junto à água e pontes que ligam o parque ao centro histórico).

  • Parque infantil do Mouchão e zona de piquenique

  • Estádio Municipal António Fortes

  • Piscina municipal Vasco Jacob

Do Parque, avista-se a Ponte Velha, a Torre da Igreja de São João Batista e o Castelo Templário.




Em próxima ida a Tomar, tentarei ir visitar o Núcleo de Arte Contemporânea e o Museu dos Fósforos em Tomar.

Partilho com vocês algumas imagens de ruas importantes de Tomar com um passado histórico:

- Rua Serpa Pinto conhecida como Corredoura (Rua Direita):
É a rua mais emblemática do centro histórico ligando a Praça da República a outras zonas centrais e está repleta de comércio tradicional, edifícios antigos, lojas e cafés. Nesta rua encontramos o “Café Paraíso” um café histórico fundado em 1911.


- Praça da República: É o ponto de partida para explorar as ruas e locais de interesse de Tomar.

- Rua Silva Magalhães: com bastante movimento local, comércio tradicional e bons sítios para petiscar.

- Rua Alexandre Herculano: rua mais tranquila, com edifícios interessantes e ligações a outras áreas históricas.

- Rua Marquês de Pombal: importante rua comercial central.

- Alameda 1º de Março: Uma avenida cheia de árvores perto do rio Nabão. Com vista bonita e área de lazer e esplanadas.

- Rua de São João Batista: Próxima à igreja com o mesmo nome na praça central.


É durante a Festa dos Tabuleiros em Tomar que as ruas do centro histórico são decoradas com tapetes de flores de papel, criando um ambiente colorido às ruas. A Festa dos Tabuleiros realiza-se de quatro em quatro anos, com a procissão onde os tabuleiros com flores de papel e pão (cada tabuleiro tem 1,60 m e cerca de 15 kg) são transportados à cabeça por mulheres e os homens acompanham as mulheres ao longo do percurso. Partilho uma fotografia de 2023 e outra imagem da Festa dos Tabuleiros realizada em 2003 a que fui assistir. Próxima procissão será realizada em início de Julho de 2027.


 

Em Tomar, as pontes e açudes têm uma forte ligação ao Rio Nabão. Este rio foi fundamental para o desenvolvimento histórico, económico e paisagístico da cidade. Os açudes tradicionais do Rio Nabão tinham a função histórica de servir para regular o caudal do rio criando uma zona de retenção de àgua dentro de Tomar, importantes na atividade dos moinhos e em outras atividades artesanais. São algumas as pontes e açudes que podemos encontrar:

- Ponte Velha de Tomar ou Ponte de D. Manuel (É a ponte mais simbólica da cidade ligando as duas margens da cidade, tem cerca de 2.000 anos, de origem medieval e reconstruida na época manuelina).


- Ponte Nova de Tomar (infraestrutura moderna que liga zonas mais recentes de Tomar usada sobretudo para circulação rodoviária e pedonal dentro de Tomar)

- Ponte do Flecheiro e respetivo açude (Inaugurada em Dezembro 2008, liga a zona do Flecheiro a outras áreas da cidade, desviando o trânsito da zona histórica. Este açude ajuda a criar áreas verdes e de lazer)

 

Partilho algumas das fotografias de pontes e açudes de Tomar e periferia:



Açude de Marianaia / antiga fábrica de Marianaia (Tomar):

Fica junto ao rio Nabão, na zona de Tomar. O “açude” (pequena barragem) servia para controlar a água que alimentava a antiga fábrica ligada a moagem ou outra atividade dependente da força hidráulica. A atividade no local é referenciada já no século XVI mas o registo mais formal está documentado por volta de 1772. Com o passar do tempo, a fábrica entrou em declínio, foi abandonada e atualmente está em estado de degradação avançado, mas ainda são visíveis alguns elementos como chaminés industriais e estruturas junto ao açude.


Até breve e obrigada pelo vosso tempo dedicado a esta publicação!

 

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